Bronze
A brancura da minha pele é assustador. Voltei a ter a cor de quando nasci, ou seja, branca leitosa! Mas, isto não irá me convencer a me esticar no sol daqui, por todos os motivos já noticiados na imprensa mundial e atestado por mim várias vezes. O sol daqui é ardido e forte. Ele queima ardidamente! E como quero chegar aos meus 120 saudável e sem ter sido envelopada por rugas e manchas, decidi me abster de me bronzear, pelo menos nesta terra.
Então, ontem tive esta idéia ''brilhante'' de passar estes paninhos auto-bronzeantes nas minhas pernitchas-branquitchas. Baseado em experiências passadas, desta vez cobri minhas mãos com luvas cirúrgicas e segui as instruções. Elas diziam que um paninho daria para usar nas pernas e o outro no resto do corpo. Ou eu sou giganorme, ou o produto foi desenvolvido para bebes recém nascidos e com menos de 50 cm. Tive que usar os dois na minhas ''longas'' pernas.
Já na primeira passada o arrependimento bateu: o cheiro! OMG! O cheiro! Havia esquecido do fedor que tem estes produtos auto bronzeantes! Mas, tarde demais e continuei minha aventura com o maior cuidado e atenção para que o resultado não fosse uma perna fedida e ainda por cima manchada!
Esperei que a meleca secasse, me arrumei e fui jantar com as amigas e o fedor (embora elas não tenham sentido nada além do meu perfume - mas isto não é consolo, pois o que interessa é que eu senti o fedor a noite toda!).
Ao chegar em casa notei que estava mais escurinha e isto fez com que eu até esquecesse do cheiro, só para me lembrar de sua existência no meio da noite quando acordei e o senti novamente ali em mim! Minha vontade foi de tomar banho no meio da noite e me encher de cheirinhos gostosos, mas voltei a dormir.
É, a minha vaidade não tem limite tampouco inteligência. Então que fique aqui registrado que fake tan somente em salões especializados e aplicados por uma profissional COMPETENTE (e não uma jacú-metida-a-entendida como eu).
Domingo, Outubro 25, 2009 | Marcadores: Eu | 22 Comments
Dia das Crianças - recordações da minha infância
Outro dia comecei a fazer uma listinha das recordações de minha infância, tipo fechar os olhos e deixar a primeira lembrança aparecer. A idéia era manter a listinha para mim, mas como a Ivana instigou a idéia escrevendo sobre a infância dela lá no Jámêvú, aqui estão as minhas recordações (sessão melancolia dado a proximidade ao dia das crianças).
Brinquei bastante de fazer comidinha de barro, macarronada de minhocas, salada de azedinha. Tinha uma Susi já que Barbie não existia na minha época (existia, mas era muito cara ou rara no Brasil). Também tive bonecas de papel (meu pai as comprava aos finais de semana juntamente com um monte de revistinha e aqueles livrinhos para pintar com água) e para dizer a verdade, gostava muito mais de brincar com a boneca de papel de que com as outras que tinha.
Uma vez, quando morávamos em São Mateus do Sul, minha mãe me mandou uma tarde para o jardim de infância junto com meu amigo Paulo Henrique, e eu achei a experiência muito chata, pois só tinha atividades para ''crianças". Achei as atividades muito enfadonhas para a "minha idade". Aliás, esta idéia de que deveria estar numa classe mais avançada me perseguiu até eu entrar na faculdade. Sim, eu era meio bossalzinha e me achava a rainha da cocada, mas acho que nunca menosprezei ninguém (espero), e me sentia superior a todos da minha faixa etária. Ainda em São Mateus do Sul, coloquei a mão no ferro quente e até hoje tenho a cicatriz. Nesta mesma época, adorava jogar polly (tipo lego) e brincar com carrinhos matibox na casa da Tia Maria. Na segunda casa que moramos nesta cidade eu deixei de dormir no berço e passei a dormir na minha própria cama, quero dizer, no chão já que caía da cama com frequência. Tinha um urso azul que minha voveia havia me dado e uma abajur de elefante (ou seria de urso?). Também foi em São Mateus do Sul que descobri o que era morte: as pessoas desaparecem da terra e se tornam nuvens branquinhas no céu. Foi isto que a dona da casa onde morávamos me contou quando perguntei porque o filho dela não estava mais com ela. Passei boa parte dos meus dias conversando com a nuvens brancas e procurando o filho dela entre as nuvens.
Mudamos para Registro e daí fui obrigada a ir para a escola, mesmo achando tudo muito chato, mas lá tive a minha primeira paixão, um japonesinho muito fofolete! Ele foi meu par numa festa junina do colégio, e cantamos e dançamos juntos aquela musiquinha: "... ai bota aqui, ai bota aqui o seu pezinho, o seu pezinho bem juntinho com o meu, e depois não vá dizer que você se arrependeu...". Gente, como esta cidade era quente e eu tinha de usar botinha ortopédica! Por causa do meu pé, uma vez fomos caminhar nas dunas que ficavam do outro lado do Rio Ribeira, aparentemente é um bom exercício para quem tem pé chato. Nesta época me dei conta de como eu era mandona. Eu só brincava com a piazada se eles aceitassem brincar do que eu queria, senão pegava meu tico-tico e voltava para casa atazanar a minha mãe e reclamar de que não tinha do que brincar. Adorava fazer tomate amassado no espremedor de alho, e pasmem: comia papel higiênico (limpo, obviamente)! Uma vez, uma pentelha de uma vizinha passou urtiga na minha perna (odeio aquela mulher até hoje), e também me lembro de ter sido comida viva por mosquitos o que me causou inflamação e febre. Perto (ou na) rodoviária desta cidade havia um bicho preguiça. No caminho do colégio havia um poço onde todos os dia eu parava e jogava pedras. Mais acima desta rua, havia uma escadaria enorme. Uma vez, minha mãe mandou a nossa babá ir me buscar no colégio, e eu briguei com a babá pois queria ir sozinha para casa. Nesta mesma época, minha mãe me dizia que eu não era filha dela e que minha mãe era uma maluqueira e eu chorava de soluçar (oh, maldade de mãe - traumatizei, viu?).
Nos mudamos para Curitiba e me lembro de me sentir muito feliz por estar mais perto dos meu avós. Lembro-me do frio que senti quando nevou (no dia seguinte a nevasca). Fiz bonequinho de neve e ainda sinto como foi legal pegar na neve. Estudei em colégio de freiras e uma vez uma amiga e eu planejamos tirar o treco que elas usavam na cabeça, pois queríamos saber se elas tinham cabelo comprido ou curto. Engoli uma tampa de canetinha Sylvapen (será que existe ainda?) e minha mãe foi chamada às pressas e fui levada ao médico. Nesta época sofria de bronquite e quando a crise atacava, eu só conseguia dormir sentada. Por causa disto, fiz muita inalação com cheiro de ovo podre e fui levada a muitas benzedeiras, e acho que foi uma das simpatias (um copo de água toda sexta-feira de lua minguante administrada por uma mulher que morava no bairro Mercês) que foi o que me curou da bronquite e fez com que meu nonno parasse de fumar e tossir (acredito piamente nisto). Eu falava com pessoas imaginárias, mas não pensem que falava em português com elas. Eu conversava com elas em inglês sem saber ao menos uma palavra em inglês.
Adorava as férias, pois quase sempre íamos passar um tempão na casa meus avós paternos ou íamos para a praia. Era tão bom parar na serra do mar e tomar café com leite e comer crostoli que minha vó preparava. Eu ía no carro do meu nonno (ele tinha uma vemaguete) atrás dele, encaracolando os cabelos dele e cantando esta música em inglês: Rock And Roll Lullaby, para o orgulho dele. Quando comecei a ler, meu passatempo na viagem era ler tudo que passava na minha frente. Uma vez perguntei ao meu nonno, e fiquei sem uma resposta plausível, qual era a diferença de hotel e motel! Ele era muito conservador e respondeu: apenas a primeira letra! Yes, sure...
Depois de Curitiba, nos mudamos para Pato Branco, mas aí eu já estava entrando na adolescência e portanto não cabe ao tema deste post contar minhas aventuras pelo sudoeste paranaense!
Feliz dia das Crianças!
Domingo, Outubro 11, 2009 | | 22 Comments
Des/ex/multi patriado e feliz - Blogagem coletiva
Este post faz part da blogagem coletiva que a nossa pink lady, Ciça, organizou. Passem lá no blog dela para ver todos que estão participando e leiam suas histórias. É muito interessante, pois embora tenhamos deixado os nossos países por motivos diversos e estejamos vivendo em países diferentes, algumas de nossas experiênicas (principalmente no campo emocional) são muito parecidas.
Eu vim para cá sem preparo algum. Não fazia idéia do que seria deixar o meu canto, miha família, meus amigos, meus costumes (e o meu feijão, gente que choque eu tive ao saber que não existia feijão preto aqui) e vir parar num país que sabia muito pouco a respeito. Só fui me dar conta do que estava fazendo quando me despedi do meu pessoal no aeroporto e daí o desespero bateu. Paro por aqui, pois senão coimeçarei a chorar e não terminarei este post, que por sinal já está atrasado.
É fácil viver longe da terrinha? Não, não é, mas fica mais tranquilo com o tempo dependendo de como você queira encarar a vida fora do seu país de origem. Uma coisa é certa, a saudades não desaparece, não diminui. Aquilo que você sentiu a primeira vez que se deu conta que estava com saudades de casa, continuará pro resto de sua vida. Então prepare-se para engolir a seco muitas vezes ao dia, chorar de vez em quando, reclamar mais do que de costume, comparar aqui e acolá, pois é isto que este sentimento chamado saudades desencadeia em você. E quer saber? É perfeitamente normal, aceitável e saudável (se controlado).
Por causa desta saudades, aprendi:
- A ver o Brasil com outros olhos. Aprendi a valorizar muitas coisas que quando estava lá nunca havia me dado conta. Nosso sistema educacional é milhões de vezes superior ao daqui, nossa comida, nossas roupas/moda, nossa maneira amigável, nossas praias, nosso sistema de transporte, nosso programa de reciclagem de lixo, nossa vaidade, nossa definição de família (pai, mãe, irmãos, primos, vizinhos, gatos, cachorros...), e tantas outras coisas são e sempre serão muito melhores dos que encontro aqui, e isto me dá o direito de reconhecer estes valores e aceitar que só os encotrarei lá, e ponto final. Não adianta querer procurá-los aqui que não encontrarei na escala que encontro lá. Então, pura perda de tempo e energia.
- A não baixar a crista para comentários idiotas e preconceituosos que encontrei (e ainda encontro) por aqui (e se encontrar fora daqui, também vale). O fato de eu ser estrangeira não me faz inferior a nenhuma pessoa que tenha nascido aqui. Se alguém tentar insinuar alguma gracinha maléfica ao fato de eu não ser daqui pode ter certeza que será esmigalhado, intelectualmente falando.
- A valorizar as coisas boas que há aqui: a tranquilidade de como o australiano encara a vida, o respeito que eles têm aos regulamentos/leis, a maneira não elitista que existe aqui (olha, me dá asco ver alguns brasileiros valorizar aqueles que tem poder (ou pose de poder) e menosprezar outros pura e simplesmente por causa do nível social - triste, deplorável e nojento), a possibilidade que qualquer um tem de ter um bom emprego, independente do nível educacional,...
E por sorte, hoje já tem feijão preto nesta terra (e farinha, e goiabada, e mandioca, e guaraná antártica, e café bom, e suco de soja e frutas, e picanha, e paçoquinha,e palmito).
Beijocas!
Segunda-feira, Outubro 05, 2009 | | 16 Comments
Conjugando o verbo menstruar
Eu me enrolo
Tu te arriscas
Ele me irrita
Nós nos agüentamos
Vós estais a perigo
Eles estão mortos
by maridex
Terça-feira, Setembro 15, 2009 | | 19 Comments
Eu no presente do indicativo
eu quero… que a distância entre a Austrália e Brasil seja não mais que uma hora de vôo.
eu tenho… muito otimismo e muita preguiça.
eu gostaria de ter… mais paciência.
eu gostaria de não ter… de fazer dieta toda vez que as calças ficassem apertadas.
eu acho… a vida aqui em Aussie land muito pacata.
eu odeio… gente burra, mal educada e preconceituosa (tudo junto ou separado - odeio com paixão).
eu sinto saudades… de todas as pessoas que não posso ver quando eu quero.
eu faço… comidinhas gostosas em raros momentos de inspiração e paciência.
eu fiz e não faria de novo… acampar sem infraestrutura alguma (tipo Ilha do Mel).
eu fazia e deixei de fazer… academia.
eu escuto… o pentelho daquele pássaro cantando noite adentro.
eu cheiro… Lovely (adjetiva e perfumalmente falando - oh, modéstia).
eu imploro… para ter mais paciência com os outros.
eu pergunto-me… se um dia terei respostas para todas as perguntas que se alojam na minha cabeça.
eu arrependo-me… de nada.
eu amo… todos que me fazem sentir bem e feliz.
eu sinto dor… até ontem, de barriga.
eu sinto falta… da minha família e de Curitiba.
eu sempre… penso em não ter de trabalhar.
eu não fico… sem tomar uma xícara de café preto pela manhã.
eu acredito… em todo mundo até que me provem ao contrário.
eu danço… muito bem.
eu canto… muito pouco (thank God!).
eu choro… quando lembro dos meus avós; quando ouço acordeom, por me fazer lembrar do meu nono; quando brigam comigo; quando me contrariam; quando não posso fazer o que quero quando eu quero como eu quero.
eu falho… em manter as minhas unhas pintadas sempre (e passar roupa toda semana).
eu luto… por nada, mas não queira disputar um par de sapatos comigo.
eu escrevo… muito pouco do que gostaria.
eu ganho… toda vez que alguém me diz que não vou conseguir fazer algo.
eu perco… em discussões que involvam lógica.
eu nunca… vou dizer nunca para nada.
eu estou… no quarto, de pijama, tranquila e feliz.
eu sou… muito auto-confiante.
eu fico feliz… com tantas coisas, até um sorriso de um desconhecido muda meu estado de espírito para feliz.
eu tenho esperança... de antes de morrer realizar todos os meus planos.
eu preciso... de roupas de verão, uma bolsa amarela, relógio de face preta, eyeliner preto da MAC, perfume Versace Versence, perfume Chloé, perfume Bvlgari BLV II, fazer luzes no cabelo, deixar de ser tão consumista, etc.
eu deveria… ter feito mais coisas hoje, como ter passado roupa.
Sábado, Setembro 12, 2009 | Marcadores: Eu | 10 Comments
Sapatos - Coleção Primavera, mas não para mim
Sábado, Setembro 12, 2009 | Marcadores: Consumismo | 13 Comments
From Australia to Germany in 5 days!
Sexta-feira, Setembro 11, 2009 | Marcadores: Blogosfera | 2 Comments
Kill that bird!
E é quase primavera e a passarada está em festa. Este mês as magpies começam a atacar, então todo cuidado é pouco! Eu odeio magpies. Passo longe delas... tenho medo!
Agora, eu estou procurando uma forma de exterminar com este passarinho chamado Koel (um tipo de cuckoo). Todo mês de setembro ele chega em Sydney vindo de algum país asiático, e aqui se ''aboleta'' até março. O chato é que ele começa a piar antes das 5 da manhã e o seu piado é de uma frequência perturbante. Não há como dormir. Aqui tem um exemplo do pio deste monstro! Este wuroo-wuroo-wuroo vai por horas sem fim, e a medida que os dias passam, o intervalo entre um wuroo-wuroo-wuroo e outro diminui, sem contar que esta sinfonia começa cada dia mais cedo (lá pelo começo de outubro estes pássaros já estão piando às quatro da manhã!).
E pensar que moro em cidade pois não sou nada amiga de campo, fazenda (somente a Farmville no Facebook - oh coisinha viciante), cheiro de mato, cheiro de bicho, insetos, répteis, etc... Sou totalmente ''urbanóide''! Porque este bicho vem piar logo aqui ao lado do meu quarto? Só faltam as pombas voltarem a fazer ninho aqui ao lado de casa...
Socorro!
Começo a achar que não gosto da primavera! Quero o inverno de volta, please!
Sábado, Setembro 05, 2009 | Marcadores: Austrália, Eu | 13 Comments
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